Já faz algum tempo que venho pensando em um blog, porém só agora resolvi realmente montá-lo. A minha idéia é justamente publicar aqui alguns recortes de vida, sejam meus, sejam de conhecidos ou desconhecidos. E por recorte de vidas, entendam: qualquer manifestação artística humana.
E para inaugurar essa idéia:
E para inaugurar essa idéia:
Palavras, a significância de um mundo que se perdeu em seu próprio significado. Um mundo que se esqueceu de sentir. Um sentimento que se esqueceu de existir. A existência que se esqueceu de transformar-se em vida.Palavras: idéias quase soltas na memória. Sentimentos quase frios presos no coração. Cores que os olhos olham, mas não vêem. Odores que entram pelas narinas ásperas sem que possamos senti-los. O palpável que não se vê, o amor que não se sente.
Palavras, a caneta que desliza no papel e se esquece de escrever.
Ó mundo insípido das palavras, palavras que não significam, que não são idéias. Soltas elas nada são e quando se juntam podem ainda nada dizer, sem o leitor, sem o ouvinte, sozinhas as palavras nada são. E não se preocupam em nada ser, pois é isso que são. Palavras nada mais são que simples nadas escritos em versos ou prosas.
Palavras que não são mundiais, que quase poucas pessoas entendem. Palavras que podem nada, ou tudo significar. Palavras que se perdem no papel como uma pessoa se perde na multidão. Mas palavras que não são pessoas. Nomes não são pessoas. Palavras que sozinhas não são nada. Palavras que entretêm os leitores atentos e os desatentos também. Que não se importam, em agradar ou desagradar. Que não sabem de nada, nem que são. Palavras que me convencem que são pessoas. Que se parecem com elas, mas nada têm a dizer. Palavras que uso para mostrar que as palavras falam, mas não dizem nada, se não houver ninguém para lê-las ou ouvi-las.
Palavras que usamos à toa, sem precisar usar. Palavras que pensamos substituir os sentimentos ou atitudes. Palavras que às vezes usamos para não sentir. Palavras que nada são nos fazem ser nada além de seres que sabem tantas poucas palavras.
Pois sim: palavras que tumultuam nossas vidas por nunca sabermos quais palavras usar. Palavras que nunca vão conseguir demonstrar as reais coisas da vida.
Palavras que são poucas, e são muitas. Palavras que não sei, mesmo sabendo seus significados.