terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Post Surpresa!

Sensações...

Algumas vivências na vida podem parecer inicialmente sem sentido... e um processo pode parecer vivido. Sei lá quão mutante somos, quanto tempo levamos para crescer, evoluir... ser.

Os ciclos... são eternos, e será que é preciso esperar anos para mudar? Para aprender? O tempo... este... novamente este... Sua relatividade interna, sua sensação particular, é como se fosse vários.. em um só... kairós.

E sei lá como, sei lá porque... mas as coisas na vida são quando tem que ser. E no desespero de vivê-la, esquecemos de esquecê-la. E a dor, o momento, o sentimento, as vezes permanece onde você menos pode encontrá-lo... geralmente dentro de si.

Como é dificil olhar pra dentro... mais dificil ainda quando o mundo todo diz: me veja, me olhe, me cuide... e ali dentro, aquele chamado calado... quieto... sutil... é pra poucos. Aí, na desculpa da solidariedade, olhamos pra fora, cuidamos... e passamos por cima... desevoluímos pessoas... tudo isso porque não pudemos olhar para dentro, e olhamos para fora pelos motivos errados. Olhar para fora como forma de não olhar para dentro é talvez a pior cegueira. Uma atitude solidária nascida deste medo... não pode mesmo fazer muito bem.

E passamos por cima... desevoluímos pessoas, quando elas nos dão esse dom, esse poder. E controlamos vidas, desencontramos pessoas... quando elas estão ao nosso lado, próximas... tentando se esconder.

E vamos seguindo quase que num esconde-esconde... quase que num jogo interminável: "Olhe para mim pois eu mesma não sei como fazer" "Deixa eu olhar para você, aqui dentro as coisas parecem tão mais dificeis.. tão complicadas!".

E passei tanto tempo guardando coisas tão pequenas.. tão desimportantes? Não... passei tanto tempo guardando a vida... que nada tem de desimportante... "Olhe para mim pois eu não sei fazer"? Não quero mais isso... e se não tiver o direito de ser, nem me abra o caminho, nem finja me escutar.... Quero poder ser, poder errar... e viver... viver... viver...

Quero me apaixonar por essa vida que é minha, por esse tempo que é meu, por esse espaço que é meu, por essa dor.. que é minha... Quero rir o meu riso, e chorar meu pranto... só assim poderei encontrar você, só assim, poderei perceber disso tudo... onde eu começo, onde você termina. Quero sentir tudo isso, mesmo que seja dor... só assim poderei saber como é sentir dor sendo quem sou. A dor que sinto, não dói tanto quanto pensei. A dor que sinto, nem sempre acaba como imaginei...

E o contrário do amor é o medo? Entao é de peito aberto que quero viver... de peito aberto que quero sofrer... e de cabeça erguida, chorar, rir, gargalhar... aquilo que sei que é meu.

E se me chamar de egoísta.. posso dizer que ao menos não saio por aí, espalhando dor, espalhando sofrimento, e querendo viver a vida dos outros, querendo sentir o que não é meu, invadindo esse espaço lindo.. que é o seu. Não uso mais sua dor, como se fosse minha. Não uso mais sua alegria, como se fosse minha. Não vivo mais sua vida... como se fosse minha. Deixa eu me achar, deixa eu me encontrar... talvez só assim eu saiba como me perder.....