quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sobre metades de laranjas...

É... definitivamente pouco vale a pena relacionar-se com meias laranjas. Achar a alma gêmea, achar aquela laranja que parece ser nossa outra metade... paralisa. Acaba fazendo com que a relação permaneça sempre num estático equilíbrio, que não permite mudanças...afinal, se uma metade de laranja muda, deixa de encaixar na outra.

Agora, pensando bem, quando duas laranjas completas se encontram... ou melhor ainda, quando duas frutas completamente diferentes, não complementares nem gêmeas se encontram e resolvem fazer um suco... há muito mais sabor.

Os sabores se misturam, mas ainda assim, são distintos... mantém sua essência característica, e somada a ela, um novo sabor nasce...o da companhia. E nesse suco, outras frutas podem ser acrescentadas... sempre.

O amor de verdade é mais ou menos assim. Uma capacidade adquirida por nós humanos... pena que raramente temos consciência desta conexão. Porque nesse sentimento, incondicional por natureza, não há espaço para personificações... torna-se capaz de simplesmente amar. E então, simplesmente amando, podemos compreender a grandeza de ser humana, a inesgotável fonte de energia que temos dentro de nós e todas as infinitas possibilidades que o vazio nos dá.

Nessa condição... de amantes, tornamo-nos apaixonados pela vida, pela existência, pela unidade. Renasce então o brilho dos olhos, a primavera da vida. A vida torna-se capaz de florescer, renascer como uma imensa fênix, cada vez mais bela, mais viva... melhor.

O amor alimenta e movimenta a espiral evolutiva e através dele cada passo torna-se mais fácil, mais certo, mais firme. E por isso, o amor torna-se a grande diferença entre equilíbrio e harmonia. A harmonia permite movimento, permite que se dance uma linda dança, com paz, estabilidade, calma... uma dança que segue o ritmo da vida, não controla nem é controlada, não ocupa espaço, tempo... simplesmente é.

Espero que todos os casais do mundo possam dançar essa dança... pois o equilíbrio é delicioso, porém frágil, facilmente rompido por qualquer força contrária, ou externa. O equilíbrio é vulnerável. A harmonia, por sua vez, alimentada pelo amor e em constante movimento, é quase impenetrável por forças contrárias ou externas, já que seu movimento, forma um escudo protetor.