sábado, 20 de dezembro de 2008

Pretensões...

Algumas situações na vida parecem tão claras diante de nós... tão transparentes... E ao mesmo tempo, é tão dificil querer vê-las. Não só aquilo que nos envolve... não só aquilo que podemos sentir na pele, no corpo...na saliva. Mas tudo aquilo que envolve a vida, já que somos parte dela. O que é ser parte da vida? Como podemos ser parte de algo do qual somos parte? Talvez, a resposta seja a simplicidade... Aliás, perdoe-me a pretensão (e o paradoxo) mas ouso dizer que a resposta É a simplicidade. As vezes me pego pensando justamente nisso. Há muito de simplicidade no amor. Aliás, acredito que o amor só floresca em corações simples... Digo isso dada a relação quase que instantânea que se faz entre simplicidade e humildade.

Ok. Para não me perder nas palavras... vamos por partes. Primeiro, vou falar dessa tal simplicidade. Às vezes as respostas das coisas mais complexas, estão dispostas diante de nós, das formas mais simples. Andei percebendo que, muitas das minhas perguntas podiam ser respondidas desta forma: simplicidade. Simplicidade em aceitar a unidade da vida. Somos todos um só organismo, somos todos parte de um mesmo todo, e é desse todo que bebemos quando temos nossas intuições, quando temos as transmissões de pensamento. Tudo isso é possível, e é muito real, quando nos percebemos enquanto unidade, afinal, se é possível conhecer-se é possível conhecer a tudo.

Não... não é necessariamente grande o volume de informações. É simples... basta abrir caminho, basta abrir os olhos. E aí, a vida vai fluindo, as informações vão vindo... na mesma medida que as coisas vão acontecendo. E basta. Eu não preciso saber de tudo antes de viver tudo. Basta que eu saiba o que me é necessário naquele momento.

Lidar com magia, com bruxaria, mitologia ou qualquer outra "ia" é lidar com partes, por mais integral que seja a visão de cada uma dessas doutrinas. Discutir religião, é algo perigoso, e já disse antes que não tenho aqui a pretensão de agradar a todos. Acho ainda que não tenho pretensão de agradar ninguém... publico estes textos por fé. (jajá falo disso também).

A religião é algo pessoal e intransferível. Acho melhor, para não causar polêmicas desnecessárias, dizer: A é algo pessoal e intransferível. Quem sou eu para criticar, desmentir ou negar qualquer religião? Bem, se eu começar a falar aqui sobre as religiões e seus propósitos, jamais conseguiria terminar.

Talvez em minha própria busca religiosa eu tenha percebido que o propósito religioso seja, o auto-conhecimento... e a paz. Paz, seja pela crença em um mundo melhor (paraíso), seja pela crença na cura, seja pela simples calma que há em fechar os olhos. E aí está também uma crítica... Algumas, ou todas, as religiões nos fazem fechar os olhos. O ponto principal é que a religião, seja ela qual for, torna-se verdadeira na mesma medida que satisfaz a necessidade daquele que a pratica. Se funciona para você... quem sou eu para dizer que não é verdade? E tendo em vista que toda religião criada pelo homem (redundância... já que toda religião é criação humana) serviu ao seu propósito ao menos para seu criador, não posso negar a veracidade de nenhuma. É por isso que digo que é pessoal e instransferível, pois muitas vezes a religião é justamente o que une o homem à fé.

Quer ver o tamanho da maluquice? Se eu digo que sou parte de uma unidade, e nesta unidade existem várias religiões... será que não posso dizer também que todas as religiões são a mesma? E mais do que isso, que toda fé é a mesma? Então, se eu quero lidar com o todo, eu deveria lidar com todas as religiões... Isso sim seria pretensão, e como já disse antes, descobri que grande parte das minhas perguntas, poderiam ser respondidas com a palavra simplicidade. Eu, quando me visto do meu tamanho (não que isso ocorra com freqüência) percebo que não preciso lidar com religiões, se eu alcanço a fé. E aí, ao invés de ter que conhecer sei lá quantas religiões, participar de sei lá quantos ritos... basta que eu conheça uma coisa: A FÉ! E aí, conhecendo a fé, estou conhecendo todas as religiões. Mudam-se os nomes, mudam-se as crenças... mas a fé é a mesma.

Hm... então quer dizer que bebo de toda produção religiosa da humanidade? Isso sim seria pretensão. E aí, entra a palavrinha mágia: HUMILDADE. Basta que aceitemos que jamais seremos capazes de conhecer tudo e/ou de terminar o processo evolutivo. Pelo menos, não enquanto humanos. Não há frase que melhor descreva a humildade que "Só sei que nada sei". Sócrates entendeu que o verdadeiro sábio é aquele que sempre se coloca na posição de aprendiz, e que jamais percebe como findado o processo do conhecimento.

Agora... fiquei devendo uma "explicação". Porque publicar esses textos se não pretendo agradar ninguém? Eu respondi: por fé. Simples... é mais fácil olhar para fora do que olhar para dentro. São duas coisas, a primeira é que desde sempre organizei meus pensamentos em forma de escrita. Ainda assim, não justificaria a publicação. Porém talvez, alguém em algum lugar remoto esteja acompanhando esse blog (tirando os amigos que sei que o leêm) e nesse acompanhar, se identifique com algumas das minhas palavras. E se dessa forma, eu estiver participando de algum outro processo mágico de descobrir-se? Estarei sendo duplamente (ou multiplicadamente) abençoada pela vivência desta magia. Afinal, somos uma unidade. Basta abrir os olhos!