A cada dia que passa melhor percebo o fator tempo! Eis que é ele o único “espaço” onde as coisas podem acontecer. A palavra imediatamente não deveria existir simplesmente porque nada é imediato, pelo menos nada que valha a pena. O que vem fácil, vai mais fácil ainda se quer saber. E história, tempo... deixam as cosias melhores. A vida é como um vinho, sim, deve ser vivida, aproveitada, abraçada ao máximo, porém também conservada em um bom barril para amadurecer e ficar ainda mais saborosa. Envelhecida, a vida fica mais curtida, mais encorpada, mais rara. Digo rara pois vejo que poucos sabem envelhecer a vida, e envelhecê-la não é deixar de curti-la, não é abandoná-la mas saber ser expectador e protagonista, das escolhas, das fases, das oportunidades e de tudo que se abre. Digo expectador pois é preciso sim saber observá-la, perceber as nuances que mudam simplesmente a todo momento. A vida é um organismo vivo, que tem um rumo independente de nossos atos, bem como rumos criados a partir das nossas escolhas, nossa postura. Eis que qualquer vida é vida compartilhada, não é minha ou sua... é nossa! E se faz justamente destas intersecções, mas a vida é a mesma sob diferentes pontos de vista. Daí a importância de assisti-la, da “não atitude”, da “observância”, só através desta permitimos. E permitir é viver, é relacionar. Só através desta não ação é que podemos relacionar-mos, pois raramente é possível que duas pessoas ajam diante do mesmo aspecto da vida, e se isso parece acontecer, talvez seja somente uma “não atitude” acompanhada. Nossa eterna busca exige de nós somente que paremos de buscar e estejamos abertos à atitudes da própria vida, que trata de gerir o momento e a pessoa exata, e nem por isso eterna.
Eis que a vida é senão, tempo. Somente na possibilidade dele que permitimos a vida acontecer enquanto fazemos nossas escolhas diante daquilo que acontece. E de pouco, ou quase nada temos qualquer controle, senão somente da forma como nos deliciamos com a espera a qual estamos inevitavelmente submetidos.
Eis que a vida é senão, tempo. Somente na possibilidade dele que permitimos a vida acontecer enquanto fazemos nossas escolhas diante daquilo que acontece. E de pouco, ou quase nada temos qualquer controle, senão somente da forma como nos deliciamos com a espera a qual estamos inevitavelmente submetidos.